‘Solta o combustível’: MP expõe código da propina e cobra R$ 714 mil de Claudinho Serra

Nova denúncia da Tromper aponta como grupo desviou dinheiro público para obras em Sidrolândia Gabriel Maymone - 14/09/2026 - 07:23 Midiamax

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‘Solta o combustível’: MP expõe código da propina e cobra R$ 714 mil de Claudinho Serra

O ex-secretário de Fazenda de Sidrolândia — e ex-vereador de Campo Grande — Claudinho Serra e outros três investigados na Operação Tromper são alvos de nova denúncia do Ministério Público por esquema de desvio de verbas públicas em contratos de obras no município do interior.

Conforme a denúncia assinada pela promotora de Justiça Bianka Machado Arruda Mendes, o alvo desta nova denúncia é o Contrato nº 136/2022, que previa a colocação de cascalho e melhorias nas estradas rurais dos Assentamentos Capão Bonito e Laguna. 

Constam também como denunciados os empresários Edmilson Rosa e Cleiton Nonato Correia, o ex-servidor Thiago Rodrigues Alves, o Nanau (ligado à Agesul), além das empresas AR Pavimentação e GC Obras.


 

Para o MP, o grupo utilizava manobras para garantir que as empresas do esquema vencessem a licitação e para superfaturar os serviços, com o objetivo de desviar dinheiro público.

Então, a denúncia pede a devolução de R$ 714.820,30 dos quatro investigados, além da suspensão das atividades das duas empresas citadas.

Para desviar dinheiro, o contrato com a empresa vencedora da licitação era aditado logo em seguida. Nesse contrato, por exemplo, o aumento foi de R$ 700 mil (o máximo, de 25%, permitido por lei).

Além disso, peritos do MP constataram que a distância do transporte de material foi alterada, passando de 1 km para 10 km, sem justificativa técnica. Isso fazia multiplicar o valor que o município teria que pagar para as empresas envolvidas no esquema.

A Operação Tromper revelou que Claudinho Serra era o ‘chefe’ do esquema e recebia uma espécie de ‘dízimo’ sobre cada contrato. Por meio do cargo que ele exercia na prefeitura, ele usava sua influência política para garantir licitações vitoriosas ao grupo, bem como liberações rápidas de pagamentos às empresas.

 

A denúncia do Ministério Público traz trechos de conversas telefônicas e mensagens de WhatsApp obtidas com autorização da Justiça.

Em áudios e textos gravados, membros do esquema cobravam a urgência na aprovação dos aditivos contratuais utilizando códigos. A expressão “soltar o combustível” era usada para se referir ao repasse de vantagens indevidas.

O Ministério Público aponta que, logo após a emissão das notas fiscais e liberação do dinheiro pela prefeitura, ocorriam entregas de maços de dinheiro em espécie para intermediários e familiares dos envolvidos.

A defesa de Claudinho Serra limitou-se a dizer que a nova denúncia “apura os mesmos fatos que já são objeto da ação penal”.

A Prefeitura de Sidrolândia informou em ocasiões anteriores que colabora com as investigações das autoridades.

Os citados no processo terão o prazo legal para apresentar defesa à Justiça. O espaço segue aberto para manifestação de todos os mencionados.

 
 

 

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