Nomeado por Gerson Claro vira réu por ‘esquentar’ documentos no Detran-MS de Sidrolândia

Gênis Garcia Barbosa se tornou gerente de agência do órgão por influência política após trabalhar na campanha de deputado estadual Gabriel Maymone - 06/08/2026 - 06:55 Midiama

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Nomeado por Gerson Claro vira réu por ‘esquentar’ documentos no Detran-MS de Sidrolândia

Procurado pela Justiça há cerca de cinco anos, Gênis Garcia Barbosa se tornou réu em mais uma ação penal por fraude no Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul), juntamente com os servidores Bedson Rodrigues Machado e Abner Aguiar Fabre, além dos despachantes David Clocky Hoffaman Chita e Leandro César de Matos Sória.

Nomeado por indicação política em abril de 2016 pelo então diretor-presidente do Detran-MS, Gerson Claro, Gênis foi ‘promovido’ e se tornou gerente de agência após trabalhar na campanha política de Claro em 2018.

O Ministério Público aponta que Gênis teria começado a praticar fraudes quando assumiu o posto gerencial da agência do Aero Rancho. Nesta denúncia, por exemplo, foram praticadas 36 fraudes pelo grupo, todas referentes ao aumento do quarto eixo em semirreboques de forma irregular.

Assim, na terça-feira (4), o juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, aceitou a denúncia e deu prazo de 10 dias para os réus apresentarem a primeira defesa no processo.

Há um mês, Gênis se tornou réu em outro processo pelo mesmo tipo de fraude. O que muda entre um processo e outro são os denunciados. O ex-comissionado no Detran-MS responde a pelo menos 14 processos na Justiça.

David Chita também responde como réu em vários processos por esquemas no Detran-MS. Em um deles, chegou a ser preso no fim do ano passado, mas conseguiu liberdade e está sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.

O despachante tentou delatar, em 2024, os verdadeiros chefes da corrupção no órgão de trânsito, apontando haver um verdadeiro esquema de blindagem envolvendo políticos e autoridades.

 

Promoção após encontro com Claro na Alems
Apontado pelo MP como peça-chave de esquema de fraudes no Detran-MS, Gênis é filiado ao PP de Sidrolândia e ganhou destaque no Detran-MS após trabalhar como ‘voluntário’ na campanha política de Gerson Claro, em 2018, quando o político se elegeu pela primeira vez a um cargo eletivo, como deputado estadual, também pelo PP.

 
 

Então, 26 dias após a posse de Claro como deputado, no dia 27 de fevereiro de 2019, Gênis foi promovido a gerente da agência do Detran-MS no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. Assim, o salário de Gênis teve aumento de quase 80%.

Logo após essa guinada na carreira pública dentro do Detran-MS, servidores denunciaram ao Jornal Midiamax, em março de 2019, que o órgão havia se transformado em ‘cabide de emprego’ para aliados eleitorais de Gerson Claro no Detran-MS.

Na época, Claro admitiu à reportagem que ainda exercia influência na definição de comissionados para cargos de chefia no Detran-MS, mesmo tendo deixado o comando do órgão em 2017, após ser preso, acusado de corrupção no contexto da Operação Antivírus.

 

Ação penal contra Claro segue parada na Justiça, aguardando a realização de uma perícia.