De delegado a clã familiar: confira os 29 alvos da PF que movimentaram R$ 500 milhões do tráfico

Delegado teria lucrado R$ 15 milhões Thatiana Melo - 05/11/2026 - 06:29 Midiamax

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De delegado a clã familiar: confira os 29 alvos da PF que movimentaram R$ 500 milhões do tráfico

A operação Ifrit, deflagrada na manhã de quarta-feira (4), tinha 29 alvos por integrar uma quadrilha de tráfico de drogas, com desvio de cocaína da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico), que era comandada pelo delegado de Polícia Civil Hoffman D’Ávila Candido e Sousa, encarcerado desde setembro, quando foi deflagrada a Operação Infiltrados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

De delegado a clã familiar: confira os 29 alvos da PF que movimentaram R$ 500 milhões do tráfico

Conforme a Polícia Federal, Hoffman teria lucrado R$ 15 milhões com a venda de cocaína. E ainda, segundo informações, o delegado misturava fermento e farinha à droga.  O delegado teria vendido cerca de 2 toneladas de cocaína desviadas do depósito do Denar, por valores entre R$ 8.500 e R$ 10.500 por quilo.

Conheça os 29 nomes, alvo da operação:

 
 

Adel Hassan Haidar
Adule Vasques Haidar
Andrey Elesbão Silva
Bassam Hassan Haidar Ahmed
Brendo Benega Pereira
Bruno Banega
Bruno Leonardo Bergamasco
Daniel Ecleverson da Silva Barbosa
Daniel Jonatas Ferreira
Douglas Tobias
Eduardo Greco
Fahd Haidar
Hector Salinas Esquivel
Hoffman D’ávila Candido e Sousa
Ireneo Ramom Acosta
João Fernando Andrade de Carvalho
Jorge Adalid Granier Ruiz
José Miguel Vela Caprioli Junior
Mamede Alhaj Haidar
Maroan Fernandes Haidar Ahmed
Nasser Haidar
Pedro Henrique Flores Camargo
Rafael Rodas Neto
Renan Braiana Garcia Presotto
Salazar José Batista
Valdeson Pereira dos Santos
Valter Ulisses Martins Silva
Victor Hugo Santos Queiroz
Vitor da Silva
Em Campo Grande, policiais federais apreenderam um Mustang que pertence ao policial civil Douglas Tobias. O veículo de luxo estava em um condomínio de alto padrão na Capital.

Inclusive, Douglas foi denunciado pelo Gaeco após também ser alvo, junto de Hoffman, da Operação Infiltrados, que investiga o desvio de drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

 

Grupo criminoso é alvo de operação em 7 estados
A Operação Ifrit cumpre 76 mandados judiciais, sendo 25 deles de prisão, e é realizada em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Três policiais civis foram afastados das funções.

O grupo de traficantes usava Mato Grosso do Sul como porta de entrada para o mercado clandestino de armas e drogas, utilizando um sofisticado esquema para lavar cerca de R$ 500 milhões em dinheiro do crime, que foram movimentados em dois anos.

A PF investiga a atuação da organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções criminosas, com participação de policiais civis e militares e um policial da PRF.

 

O grupo é investigado pelos crimes de tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e delitos violentos, como sequestros, torturas, atentados e homicídios. Eles usavam armas, estruturas de apoio e carros blindados para exercer o controle territorial e intimidar rivais.

As investigações revelaram que o grupo atuava principalmente na região de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, com ramificações em outros estados. As drogas e as armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, abastecendo as redes de distribuição no Brasil e as rotas de tráfico de entorpecentes destinadas à Europa, especialmente Espanha e Portugal.

Diante do mandado contra o delegado Hoffman na Capital, o Jornal Midiamax acionou a defesa, representada pelos advogados José Roberto Rodrigues da Rosa, João Pedro da Silva Fialho, Lucas de Nobrega Fuzinatto e Jakson Gomes Yamashita, que, em nota, disse:

“O Delegado Hoffman já se encontrava submetido a custódia cautelar em razão de outro procedimento e, após o cumprimento da nova ordem judicial, foi encaminhado à unidade prisional competente.

Até o presente momento, a Defesa não obteve acesso integral aos autos, à decisão que fundamentou a nova prisão preventiva, tampouco ao conjunto de elementos probatórios que embasaram as medidas cumpridas nesta operação.

Por essa razão, qualquer manifestação sobre o mérito das novas imputações seria prematura e incompatível com o exercício responsável da defesa técnica.

 
 

Assim que for franqueado acesso integral ao procedimento, a Defesa realizará a análise jurídica e probatória do caso e adotará todas as medidas processuais cabíveis, assegurando ao Delegado Hoffman o pleno exercício do contraditório, da ampla defesa e das demais garantias constitucionais.

A Defesa reitera que prisões cautelares e medidas investigativas não representam juízo definitivo de responsabilidade penal, devendo os fatos ser examinados no devido processo legal e à luz das provas efetivamente produzidas.”

Já a defesa do Fahd Haidar informou que neste momento não irá se manifestar, uma vez, que ainda não tiveram acesso aos autos. O espaço segue aberto para futuros posicionamentos.

A reportagem também acionou a Polícia Civil e a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul acerca dos mandados contra os servidores. A PMMS esclareceu que não teve policiais militares presos durante a operação e ressaltou que “sua atuação pelos princípios da legalidade, da ética e da responsabilidade institucional, reafirmando seu compromisso com o cumprimento da legislação e com os valores que norteiam a atividade policial militar.”


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